11 de ago. de 2010

PROCESSO ELETRÔNICO NO TST


O processo eletrônico [em funcionamento no TST desde 02/08/2010] vem despertando grande interesse, com ampla repercussão na mídia. Entre outras, foram veiculadas duas matérias no dia 27 de julho: uma, pelo Correio Braziliense (veja a matéria) outra, no Bom Dia, Brasil, da TV Globo (veja a excelente reportagem)


Notícia postada com adaptações. Fonte: www.tst.jus.br

CRÍTICA AO SEMINÁRIO "CONVERSAS ENTRE POPPER, KUHN E TOMANIK"



O seminário esteve muito mais próximo de uma imersão em traços biográficos e conceitos básicos dos três autores, do que propriamente de uma discussão estrita sobre o que é ciência.

A proposta inicial era a defesa de 2 pontos:

1° - Tanto o “A lógica da descoberta científica” publicado em 1934, por Karl Popper; quanto o “A estrutura das revoluções científicas” publicado em 1962, por Thomas Kuhn, podem ser categorizados na corrente de pensamento que Augusto Tomanik concebe como crítica ao empiricismo.

2° - Os conceitos de demarcação da ciência, falseabilidade e paradigma estão na vanguarda do movimento em prol da revisão da concepção de ciência como portadora do conhecimento certo, verdadeiro, neutro, objetivo.


O ponto forte do seminário foi, sem dúvida, a conversa, via Skype, do Prof. Tomanik com a turma*. O tema predominante foi exatamente a questão da possibilidade de uma ciência neutra. Ao ser interpelado sobre o pensamento de Popper e Kuhn, Tomanik explicou:

“São dois pensadores importantes, são duas pessoas que nos fizeram repensar a ciência e que nos ajudaram a nos libertarmos daquela idéia de uma ciência puramente proveniente da natureza. Agora é importante pensarmos o seguinte: Popper é um pensador sobre a ciência, ele faz uma filosofia da ciência; enquanto Kuhn me parece muito mais um sociólogo dos grupos de cientistas.

Kuhn se dedica a se descrever como os grupos de cientistas agem, ele faz uma denúncia muito bem fundamentada sobre a construção coletiva da idéia de verdade na ciência, nesse sentido ele desmascara a idéia naturalista de verdade vinda dos próprios dados. Agora acho que a teoria de Kuhn é extremamente limitada na medida em que ele considera que os cientistas não agem como grupos fechados. Mas ele não vai além dessa formulação, ele não se aprofunda em como fatores extra-científicos interferem na construção do que nós aceitamos como ciência

Popper, por outro lado, já me parece uma pessoa muito mais profunda ele faz uma incursão sobre a verdade, o critério de verdade na ciência, embora eu ache que a ciência não seja exatamente o que Popper diz que deveria ser, mas acho que ele fornece linhas muito interessantes.”


No segundo dia de seminário, o grupo (formado pelos mestrandos Leonardo, Luiz Carlos e Ronald) expôs, em linhas gerais, sua visão sobre o empirismo, sugerindo inclusive uma continuidade: empirismo – positivismo – pensamento do Círculo de Viena.

Na sequência falou-se da formação e da biografia de Popper e Kuhn; para enfim chegar-se à árvore de conceitos dos dois autores, a partir da qual alguns de seus pensamentos foram sucintamente contrapostos.

Para finalizar, no intuito de motivar o debate no âmbito da tura, e seguindo a tradição de outros grupos, foram exibidos vídeos** que conjugavam o tema ciência a questões como ética, religião, tecnologia, experimentação.

A avaliação que se faz é que o seminário promoveu uma compreensão rasa dos conceitos dos 3 autores; porém os situou no tempo e no espaço, os trouxe para perto dos estudantes, e com isso fomentou uma discussão interessante.


Notas:

* Em razão do cumprimento das outras atividades da disciplina a transcrição da entrevista com o Prof. Tomanik só será disponibilizada para a turma em 31/08/2010.

** Disponibilizaremos os vídeos para postagem no Portal de Vídeos de Metodologia em CI (http://www.youtube.com/user/MetodologiaPPGCinf#p/)

POSTER DA PESQUISA SOBRE PJD - VERSÃO 2

27 de jul. de 2010

ENTREVISTA COM O PROFESSOR DR. EDUARDO AUGUSTO TOMANIK



Olá, pessoal! Nesta quinta-feira (29/07) teremos apresentação do seminário “O que é ciência? Conversações entre Popper, Kuhn e Tomanik”, pelo grupo formado por mim, Luiz e Ronald. A grande notícia é que conseguimos uma entrevista exclusiva com o Professor Tomanik!

Domiciliado na Rua Kingston n°. 68, do pacato bairro do Jardim Canadá, em Maringá, o Prof. Tomanik, 55 anos, nascido em São José do Rio Preto, casado a 27 anos com Geni (psicóloga e ex-aluna), pai de Marcela (também psicológa e ex-aluna), nos falou sobre sua formação, sua visão sobre a ciência, sobre Kuhn e Popper, sobre política; me deu uns “puxões de orelha”, e também deixou uma mensagem para nossa turma.

Comentem à vontade!

abs.
Leonardo.

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Leonardo : Quais eram suas disciplinas favoritas no tempo de escola?

Tomanik: No início me interessei por aquelas disciplinas que pareciam ser, ao meu olhar ingênuo, mais "científicas", ou seja, em termos de agora, mais próximas às ciências da natureza: Genética, Anatomia e, no campo da Psicologia, a Psicologia Comportamental.

Só durante o curso entrei em contato com as idéias marxistas. Lembrem-se que isto era proibido, na época, e é claro que um adolescente vivendo em Neves Paulista tinha pouca chance de ter ouvido falar dessas idéias.

A partir daí percebi que Ciência e ação política não podiam ser distantes, como pregavam os manuais de iniciação científica que tínhamos que ler. Com isto, rompi com as idéias da Psicologia Comportamental e passei a me aproximar mais das Ciências Sociais, como a Antropologia e especialmente da Psicologia Social, de base dialética, que me acompanha até hoje.

Ao mesmo tempo, comecei a perceber que a Ciência não constituia um conjunto acabado e inquestionável de normas, práticas e saberes; que também podia ser um objeto de estudo. Assim me aproximei da Metodologia.


Leonardo: Que fato, ou pessoa, desencadeou o interesse do senhor pelo curso de licenciatura em psicologia?


Tomanik:Não tenho a mínima idéia sobre o que me levou a escolher a Psicologia.
Durante toda a minha infância, tanto a família (pais, avós, tios) quanto eu mesmo mantivemos a expectativa de que meu futuro seria a Medicina. Na hora de me preparar para o vestibular, descobri que não era isto que queria (também não sei porque).

Para falar a verdade, quando escolhi a Psicologia eu tinha idéias muito vagas sobre o que seria ela. Só sei que, como bom adolescente, um dia decidi - e fui.


Leonardo: O senhor é licenciado pela PUC de Campinas, mestre pela Universidade Federal da Paraíba e Doutor pela PUC/SP e atualmente é professor da Universidade Estadual de Maringá. Como se deu essa trajetória?


Tomanik: A escolha inicial, pela PUC de Campinas, veio como parte daquele processo de opção pela Psicologia: havia poucos cursos de Psicologia, na época, e Campinas me pareceu uma boa opção, também não sei porque. Fiquei sabendo do vestibular faltando poucos dias para o encerramento das inscrições e decidi tentar. Como fui aprovado, nem me preocupei em estudar outras alternativas.

Num Congresso de Psicologia em Ribeirão Preto, já no último ano da Graduação, fiquei amigo de um grupo de estudantes da Paraíba que me passaram informações sobre o Mestrado de Psicologia Comunitária em João Pessoa. Aí somaram-se vários fatores: eu tinha muita vontade de conhecer o Nordeste, não como turista, mas vivendo lá; estava mais interessado na carreira acadêmica que nas áreas tradicionais de atuação da Psicologia (clínica, organizacional, escolar) e tinha interesse em me dedicar à pesquisa, especialmente de temas ligados às populações mais carentes. Diante disto tudo, o Mestrado se tornou uma opção interessante.

Fui aprovado, ganhei uma Bolsa, o que me permitiu sobreviver por 2 anos, cumpri os créditos teóricos e passei a procurar trabalho como Professor. Fiquei um ano em Baurú (Estado de São Paulo) e recebi um convite para assumir um lugar na Universidade Estadual de Maringá, onde estou até hoje. A saída para o Doutorado, anos depois, foi um momento de re-atualização e uma parada para uma série de reflexões, processos necessários na vida acadêmica.

Leonardo: Foi a partir dos estudos para sua tese de doutorado “Ser e não ser: a Pesquisa em Psicologia no Brasil e a questão da Cientificidade” que surgiu seu interesse pelo estudo da ciência?

Tomanik: Ao contrário. Foi o interesse que deu origem à tese. O afastamento para o Doutorado representou a oportunidade para que eu me dedicasse a desenvolver leituras e reflexões que já vinham sendo gestadas e acalentadas. Tanto é assim que, além da tese, foi neste período que eu escrevi "o olhar no espelho..."

Leonardo: Para o senhor o que representou a publicação do livro “O olhar no espelho”? Hoje seria possível falar em um “efeito Narciso” na relação entre a ciência e o espelho?

Tomanik: O primeiro livro representou ao mesmo tempo um imenso desafio e uma continuidade natural de um processo que já vinha sendo desenvolvido a tempos.

Na graduação, fui aluno de Alfonso Trujillo Ferrari, já falecido, autor de um manual de iniciação cíentífica muito utilizado na época. Tanto nas aulas quanto nas leituras do manual eu não concordava com algumas das suas idéias, mas não conseguia, na época, aprofundar estas divergências (nem poderia).

Mais tarde, fui aluno de João Francisco Régis de Morais, autor, entre vários outros, de "Ciência e Tecnologia - abordagem metodológica e crítica", no qual a Ciência é tratada de forma mais humana, menos mecânica. Outro professor e amigo importante nesta trajetória foi Jorge Benjamín Martínez Fernández, com quem aprendí que não é proibido pensar e construir novos caminhos.

Como continuação desta trajetória, quando assumi disciplinas ligadas à metodologia e às pesquisas, queria transmitir aos alunos o ideal de que a prática das ciências é (ou deve ser) um processo criativo e reflexivo. A tese e o livro fizeram parte deste processo.

Sobre a sua segunda pergunta, acho que depende do que estamos chamando de Efeito Narciso. Minha intenção, ao escolher o título, foi sugerir que, ao menos nas Ciências Sociais, aquele que observa é, também e inevitavelmente, o observado. Além disso, o que percebemos no espelho é muito mais fruto de nossas interpretações que resultado de um processo efetivado pelo espelho. O olhar que me olha no espelho é sempre o meu olhar sobre mim.

Assim, se pensamos em Narciso simplesmente como aquele que contempla seu reflexo, todas as Ciências Sociais são, necessariamente, narcísicas. Se pensarmos em Narciso como aquele que, ao contemplar-se, apaixona-se e não consegue mais perceber o outro, gostaria de acreditar que a Ciência não é assim. Também prefiro pensar que ela não é sempre assim. Mas não posso negar que isto ocorre, e com alguma frequência.

Luiz Carlos: Na definição de ciência, o senhor vê alguma superioridade do pensamento de Thomas Khun sobre o de Karl Popper, e vice-versa? Esses dois autores tiveram algum peso para a formação de sua visão sobre ciência?

Tomanik: À rigor, eles assumem e enfrentam desafios diferentes. Popper elabora uma Filosofia da Ciência ou, como ele mesmo denomina, uma Lógica do Pensamento Científico. Khun traça o que poderíamos chamar de uma Sociologia ou de uma Antropoplogia dos grupos de cientistas. Popper é tanto descritivo quanto prescritivo; tenta mostrar como a ciência age e propõe modelos ideais de ação. Khun pretende ser apenas descritivo. Por isto, é difícil traçar comparações diretas.
O pensamento de Popper é mais profundo e cuidadosamente elaborado. Isto não significa que o pensamento de Khun seja pouco útil ou menos válido; apenas que ele se propôs a uma tarefa diferente.

Para ser coerente, tento evitar que minha visão sobre a Ciência seja algo pronto e acabado. Por isto, cada um dos autores que leio contribui, de uma forma ou de outra, para minha forma de pensar. Isto não significa, claro, um ecletismo acrítico, a aceitação incondicional de cada uma e de todas as teorias (o que seria um absurdo).

Leonardo: É possível que até o fim deste século a crença na ciência e na tecnologia reduza a índices mínimos a importância da filosofia e da religião para a sociedade?

Tomanik: Como Marx, penso que a História é construída pela ação dos homens. Por isto, ao contrário de muitos dos que se dizem marxistas, não creio que ela seja previsível ou pré-determinada. Prefiro não arriscar adivinhações
O que vejo acontecendo, hoje, no que chamamos de ocidente, é que o imediatismo e a valorização apenas daquilo que pode ser expresso em termos monetários vem diminuindo o papel tanto da filosofia quanto das ciências humanas como campos de reflexão. Elas são reconhecidas e valorizadas apenas quando apresentam ou se propõem a oferecer soluções práticas e rápidas aos problemas que são formulados segundo a lógica do mercado. Por sua vez, as religiões que se mostraram mais ágeis e mais dispostas à aderir à esta lógica, vêm ganhando espaço rapidamente.

Não podemos nos esquecer que a tão falada globalização não é, de fato, um processo global e que boa parte da humanidade vive um processo que poderíamos chamar de tribalização. Nesta metade ideológica do mundo, cresce a importância do pensamento religioso tradicional e fatalista e as ciências humanas e sociais são ainda menos valorizadas.Parece que o jogo não está muito favorável ao nosso time, não é?


Leonardo: Certo filósofo uma vez afirmou “Não há fatos morais, mas sim interpretações morais dos fatos”, o relativismo na ciência será o fiel da balança para desenvolvimento de uma nova moralidade no mundo?


De novo, prefiro não brincar de oráculo. De qualquer forma, não acredito que a história possa ser determinada por um fator isolado. O desenvolvimento das Ciências ocorre em conjunto e em interação com o desenvolvimento da sociedade. Pensar em um "fiel da balança" ou em um fator decisivo me parece mais uma opção do pensador; os processos sociais são complexos e não podem ser adequadamente compreendidos à partir da influência de um fator isolado.


Leonardo: Como o senhor analisa o fato de o homem já ter conseguido ir à lua, explorar o planeta Marte, porém ter avançado tão pouco em questões básicas como, por exemplo, a erradicação da fome no mundo, o zelo pelos recursos naturais da Terra. A ciência é co-responsável ?


Tomanik: Os fatos que vocês citam apenas espelham o que os diretores da grande empresa Terra S/A (que é conduzida muito mais como uma Cia. Ltda.) valorizam. O zelo pelos recursos naturais, que nasceu como uma preocupação com o planeta e a vida, vem se tornando rapidamente mais um argumento de vendas. Se conseguirmos fazer com que a erradicação da fome seja lucrativa, ela provavelmente será alcançada muito rapidamente. Por enquanto, parece que a fome é mais interessante, em termos de mercado, que sua erradicação. Por isto ela persiste.

A ciência e os cientistas fazem parte do processo (muitas vezes com entusiasmo e alegria).

Leonardo: Pelo histórico da nossa relação com o meio-ambiente, é possível concluir que estamos fadados a uma extinção precoce?


Tomanik: Já não podemos mais acreditar piamente na racionalidade humana. Por outro lado, prefiro também não pensar que somos tão irracionais assim.
Prefiro voltar a tratar deste assunto daqui a uns 200 ou 500 anos. Aí teremos mais informações...

Leonardo: O senhor tem alguma ideologia política? Como analisa os 8 anos de governo Lula?

Tomanik: Alguma ideologia sempre temos. O que não consigo, neste momento, é definir clara e sinteticamente a minha, Talvez porque prefira não fazê-lo.
Fui um dos milhares que assinou o manifesto de fundação do PT. Fui filiado e militante do partido durante bom tempo.

Vivi a primeira eleição do Lula como um momento cheio de contradições.
Emocionalmente, me envolvi muito. Racionalmente, não tinha ilusões de que aquela eleição seria o ponto de partida para mudanças radicais, até porque tinha a percepção de que ela só havia ocorrido em função de um "abrandamento" do discurso e das propostas do Partido e do candidato.

Por outro lado, acredito que o imenso e intenso apoio popular daquele momento poderia ter sido usado como base para a promoção de algumas mudanças um pouco mais profundas. Infelizmente, parece que a política não é arte do possível, mas do negociável. Com isto, perdemos o que penso que seria uma oportunidade histórica.
Sinteticamente, creio que os mandatos de Lula trouxeram alguns avanços interessantes, mantiveram alguns dos acertos e muitos dos erros dos governos anteriores e produziram alguns erros novos. Foi ruim? Talvez não, mas poderia ou deveria ter sido melhor.

Quanto ao PT, vêm se revelando um partido exatamente igual a todos os outros, por isto me afastei dele.

Leonardo: No Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UnB, o estudo de metodologia científica tem como base suas “conversas sobre pesquisa em ciências sociais”, mande um recado a seus interlocutores!

Tomanik: Pensem! Não desistam de pensar, não tenham medo de pensar. Para acreditar, obedecer e reproduzir vocês não precisariam estar aí.
Um abraço a todos e obrigado.

9 de jul. de 2010

AVALIAÇÃO DO BLOG




Pessoal, hora da avaliação do blog, façam perguntas, sugestões e críticas à vontade, sem neuras!

brigadão.

15 de jun. de 2010

APOSTANDO TODAS AS FICHAS



Li o primeiro período da notícia que estou postando abaixo e de primeira me fiz aquela pergunta com a qual temos deparado durante o semestre: Será? Será mesmo?

"O vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro João Oreste Dalazen, afirmou que a implantação do processo eletrônico, “mais do que qualquer lei ou código”, provocará uma revolução silenciosa – a verdadeira e profunda reforma do Poder Judiciário. "


Acompanhem meu raciocínio: ao contrário do que afirmou o Min. Dalazen, será que a simplificação das leis e dos códigos processuais e o investimento em políticas institucionais de gestão de informações e documentos efetivas não seriam uma ação de preparação, algo como construir os fundamentos para a implantação do processo eletrônico? E consequentemente para o seu sucesso?

Alguém deixa de ser desorganizado ao trocar papel por HD? A questão da mídia física é que ela reflete materialmente essa desorganização, a incongruências dos procedimentos, o arcaismo das leis; a causa de os processos se acumularem, ocuparem espaço físico desordenadamente e consumirem valores astronômicos em sua gestão é que nosso sistema jurídico contribui para que as ações judiciais se arrastem por anos a fio e se acumulem umas sobre as outras. Então podemos jogar um componente tecnológico sobre tudo isso e chamarmos de revolução? Apostar todas as fichas na inovação do processo eletrônico, será ele algo tão poderoso assim? Sem a revisão das leis e códigos processuais e implantação de políticas institucionais de informação, vejo o perigo de se estar (mesmo que inconscientemente) varrendo a sujeira para debaixo do tapete, ou melhor, debaixo dos HD's. E essa é uma opinião que nem tem a ver com o fato de estar estudando o tema no mestrado de CI, é muito mais uma preocupação de cidadão, que muito em breve terá o acesso ao poder judiciário mediado pelo processo eletrônico.

Vale a leitura da notícia na íntegra e reflexão sobre o discurso institucional.

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15/06/2010
Processo eletrônico será a verdadeira reforma do Poder Judiciário, afirma ministro Oreste Dalazen


O vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro João Oreste Dalazen, afirmou que a implantação do processo eletrônico, “mais do que qualquer lei ou código”, provocará uma revolução silenciosa – a verdadeira e profunda reforma do Poder Judiciário. A declaração foi feita durante solenidade de abertura do I Congresso Brasileiro sobre Processo Judicial Eletrônico Trabalhista, em Campina Grande (PB), no dia 7 de junho. Após revelar-se “um entusiasta do processo eletrônico”, o ministro Dalazen disse que a informatização do processo judicial será a saída, “a verdadeira tábua de salvação para a Justiça enfrentar a crônica e angustiante lentidão de que padece”. Citando Ruy Barbosa, exultou: “Justiça tardia não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta”. O congresso, promovido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região (PB), foi realizado no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep), no período de 7 a 9 de junho, e contou com a presença de magistrados, administradores e especialistas em Tecnologia da Informação.

Na palestra de abertura, o ministro Dalazen disse ser auspicioso constatar que os Tribunais Regionais do Trabalho partiram para soluções próprias, a exemplo do TRT da Paraíba, que marcou seu pioneirismo com a implantação da primeira Vara do Trabalho totalmente eletrônica no país, em Santa Rita, e ampliou para outros municípios, culminando com a inauguração da Vara Eletrônica do Fórum de Campina Grande, “experiência que também foi adotada na 18ª Região (GO)”. Ao fazer uma retrospectiva do processo eletrônico no âmbito da Justiça do Trabalho, ele lembrou que, diante do rompimento do convênio firmado com o Serpro para desenvolver o Suap (Sistema Unificado de Acompanhamento Processual), o TST e o Conselho Superior da Justiça do Trabalho decidiram direcionar esforços para adaptar sistemas já desenvolvidos por outros órgãos do Poder Judiciário, visando o processo eletrônico integrado em todos os órgãos do judiciário trabalhista. Como um dos desdobramentos dessa decisão, citou o termo de cooperação assinado em 29 de maio o Processo Judicial Eletrônico (PJe), mediante convênio com o Conselho Nacional da Justiça, que envolveu também Tribunais Regionais Federais, os Tribunais Regionais do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho.

No âmbito do TST, o ministro informou que o Tribunal voltou-se ao desenvolvimento, com recursos próprios, de um sistema para ser aplicado nos processos de agravos de instrumento e recursos de revista, que resultou no E-Sij. Informou que, segundo estimativas da Presidência do Tribunal, o sistema E-Sij, além de contribuir para a celeridade processual, proporcionará economia anual da ordem de R$ 11 milhões, entre despesas com correios, mão de obra terceirizada, mensageiros, grampos e outros materiais. “A primeira etapa do E-Sij, iniciada em outubro de 2009, constituiu-se na implantação do processo eletrônico em relação aos processos de competência delegada a Presidência do TST. Hoje, milhares de agravos de instrumentos e recursos de revista são digitalizados no TST e julgados pela Presidência do TST. Como resultado – de outubro de 2009 a maio de 2010 (últimos dados atualizados), mais de 11 mil processos tramitaram na presidência.

Recentemente, a presidência anunciou que a partir de 2 de agosto próximo o E-Sij estará implantado de forma integral no TST – o que significa que a partir de então haverá, entre outras inovações, a autuação eletrônica, distribuição eletrônica e tramitação eletrônica de todos os processos no TST – a exemplo do que já ocorre no CSJT. Também não haverá mais remessa de autos físicos – processos em papel – de recursos de revista ou agravo de instrumento – dirigidos ao Tribunal Superior do Trabalho”.


fonte: http://ext02.tst.gov.br/pls/no01/NO_NOTICIASNOVO.Exibe_Noticia?p_cod_area_noticia=ASCS&p_cod_noticia=10878


ps. acessem a fonte e assistam o vídeo, é bem interessante.

24 de mai. de 2010

O QUE É DIPLOMÁTICA – 1 (Completando a resposta ao Jones)




DOCUMENTO

Informação registrada sobre um elemento físico. Aqueles que têm a informação registrada como objeto de estudo/trabalho observaram que dependendo da gênese ela assumia características particulares:

Heloisa Bellotto, em seu livro Arquivos Permanentes, explica que:

"A forma/função pela qual o documento é criado é que determina seu uso e seu destino de armazenamento futuro. É a razão de sua origem e não o suporte sobre o qual está constituído, que vai determinar sua condição de documento de arquivo, de biblioteca, de centro de documentação ou museu."

Assim, o arquivo (do grego archeion, que significa palácio do governo - a raiz arch significa comando autoridade) é o lugar dos documentos que nascem da atividade administrativa, da atividade jurídica, são documentos que solicitam algo, mandam prender alguém, mandam soltar alguém, firmam um pacto entre duas pessoas, ou seja, eles regulam, modificam, constituem ou extinguem situações dentro do ordenamento jurídico-social.

Por outro lado, geralmente, um livro é produto da atividade cultural, educativa, artística, não é único, como elemento de prova, se perco um livro, posso comprar outro.Se perco meu diploma de graduação não tenho como comprovar que sou formado, minha palavra não basta, preciso daquele papel produzido no ambito da burocracia estatal, assinado e validado pelos agentes do Ministério da Educação e da Unb. Um outro caminho, esse ilegal, seria eu tentar falsificar um diploma ou mesmo comprar um pela internet rsrsr, aqui entramos no domínio da diplomática.


DIPLOMÁTICA

Não tem a ver com a carreira diplomática do MRE. No âmbito da CI, o termo diplomática refere-se a conceitos e métodos de crítica de documentos, essa crítica visa saber se o documento é digno de fé (conceito relacionado ao controle dos procedimentos de produção) e autêntico (conceito relacionado ao uso, preservação e custódia do documentos após criado).

Em teoria a análise diplomática, o método diplomático, identificaria o diploma falsificado e o consideraria não autêntico e indigno de fé, não poderíamos crer no que dispõe o seu conteúdo e muito menos em sua aplicabilidade jurídica como confirmação que determinada pessoa cursou ensino superior.

Mas há falsificações e falsificações, quem já assistiu Os Falsários, que ganhou Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008? Lá pelo fim da 2GM, já desesperados com a derrota iminente, os nazistas intentam quebrar o sistema financeiro dos países aliados, para isso começam um projeto de falsificação e colocação em circulação de cédulas de dolar e de libras esterlinas, principalmente; os técnicos do projeto eram químicos, físicos e artistas e pintores judeus presos no campo de concentração [imagem do post], a força motriz da história está na ordem dos algozes nazistas aos prisioneiros, algo como “faça o dolar perfeito ou morra”.

Enfim, não vou dar mais spoilers do filme, basta dizer que é um drama excelente, e baseado numa história real. Só citei para ilustrar o trabalho da diplomática, que, hoje, não vê fronteiras entre documento tradicional ou eletrônico, apesar de os meios de controle atuais serem bem explorados a confiabilidade nos documentos digitais, no geral, ainda é bem menor do que nos documentos tradicionais. Daí minha intenção de estudar esse aspecto do processo judicial digital.